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Conceição Lima
S.Tomé e Príncipe
Quando o luar caiu
Quando o luar caiu e tingiu de escuro os verdes da ilha cheguei, mas tu já não eras.
Cheguei quando as sombras revelavam os murmúrios do teu corpo e não eras. Cheguei para despojar de limites o teu nome. Não eras.
As nuvens estão densas de ti sustentam a tua ausência recusam o ocaso do teu corpo mas não és.
Pedra a pedra encho a noite do teu rosto sem medida para te construir convoco os dias pedra a pedra no teu tempo consumido.
As pedras crescem como ondas no silêncio do teu corpo. Jorram e rolam como flores violentas. E sangram como pássaros exaustos no silêncio do teu corpo onde a noite e o vento se entrelaçam no vazio que te espera.
Súbito e transparente chegaste quando falsos deuses subornavam o tempo, chegaste sem aviso para despedir o defeso e o frio, chegaste quando a estrada se abria como um rio, chegaste para resgatar sem demora o principio.
Grave o silêncio agarra-se ao teu corpo, hostil o silêncio agarra-se ao teu corpo mas já tomaste horas e caminhos já venceste matos e abismos já a espessura do obô resplandece em tua testa.
E não me bastam pombas dementes no teu rosto não bastam consciências soluçante em teu rasto não basta o delírio das lágrimas libertas.
Cantarei em pranto teu regresso sem idade teu retorno do exílio na saudade cantarei sobre esta terra teu destino de rebelde.
Para te saudar no mar e no palma na manhã dos cantos sem represas saudarei a praia lisa e o pomar. Direi teu nome e tu serás.
enviado por amelia pais
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